Arquivo da tag: geración cero

Geração Zero

meninas

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes, as explicações para o tardio amadurecimento dos jovens espanhóis eram mais simples. Uma onda de jovens que por opção preferiam estar mais tempo na casa dos pais e aproveitar as mordomias da vida de estudante. Algo que poderia ser traduzido mais ou menos desta forma, como escutei de uma aluna da faculdade onde eu faço a pós: “Para que trabalhar agora? Sou jovem, tenho tempo e minha vida é agora, quero aproveitar”. A isso se somavam os reais altos custos da vida independente, principalmente o de moradia. As pessoas chegam a comprometer 70% dos salários em aluguéis e hipotecas, só para dar uma idéia do alto custo deste item no país.

Quando cheguei aqui confesso que fiquei impressionada com a quantidade de gente recém formada que nunca havia trabalhado em lugar nenhum e esperavam num “Máster” conseguir a primeira oportunidade de estágio. Mas daí o cenário se complicou, a crise se agravou muito e o mercado é cada vez menor. A taxa estimada de desempregados até 25 anos é de 33% para o segundo trimestre deste ano e a perspectiva destes jovens entrarem no mercado de trabalho é bem pequena.

Isto é um dos sinais de que mudanças importantes virão no mercado durante e depois desta crise mundial. Cada país com seu próprio calvário, mas todos com a certeza de que nada será como antes.

O El País publicou uma reportagem hoje super interessante sobre o chamou de “Somos la Generación Cero“,  jovens que estão se formando nesta crise e que por isso não conseguem trabalho, logo continuam estudando e vivendo com os pais. Têm uma formação cada vez mais completa, mas isso não garante vagas no mercado de trabalho nem sua independência.

É o caso de Maria José, 25 anos, que se formou em matemática e morava em um apartamento com outras colegas e agora não encontra emprego: “En poco tiempo cambian tus esperanzas y tus opciones de futuro. Desde que empezó la recesión no sólo no contratan, sino que despiden. Lo que más me agobia es la incertidumbre. ¿Hasta cuándo va a durar esto? ¿Un año, dos, dependiendo de mis padres? ¿Renunciando a irme de vacaciones con mis amigos este verano a Ámsterdam? No sé”.

Vanesa Iino, de 26 anos é aluna de um curso de colocação profissional e recém formada em engenharia. “No estaba desanimada, los compañeros que se habían licenciado en septiembre se iban colocando, pero sólo hay puestos en los que te piden tres años como mínimo de experiencia. ¿Cómo lo voy a hacer? Ahora he conseguido un empleo como gestora telefónica: llamo a morosos. La gente de mi entorno se sorprende, y me dice: ‘¿Una ingeniera química trabajando de telefonista?’. Así puedo ahorrar para hacer un máster en energías renovables y estudiar idiomas por las mañanas, para completar currículo”

Alguns estão buscando oportunidades em outros países da UE. Como é o caso do casal de namorados que acaba de se formar em fotografia Samuel e Cristina. “Me fui a Hamburgo el 15 de diciembre. La idea era llevar mi book por varias empresas, y allí, a la primera, me contrataron. Voy a cobrar 500 euros a la semana, algo impensable aquí. Antes de Alemania me pateé todas las agencias de publicidad donde pudieran necesitar fotógrafos, he visto todas las ofertas en Internet. Aquí no hay proyección, no se apuesta por la ambición y el talento”. Cristina não vai trabalhar como fotógrafa: “Allí ya tengo empleo y me dan cursos gratis de alemán. Voy a trabajar en un hotel. Aquí te pedirían un máster hasta para hacer camas. El trabajo me lo encontró otra española, una mujer que emigró allí por otra crisis, en los setenta. Es bonito, ¿no?”

passeat

Passeata contra Bolonia, processo de unificação de ensino superior europeu. Fotos: Arnaldo Comin

Anúncios

1 comentário

Arquivado em comportamento