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Serpentine Gallery, arquitetura e Jeff Koons

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Serpentine Gallery é uma das mais famosas galerias de arte contemporânea de Londres. Fica no charmoso Hyde Park. Cada verão eles fazem uma instalação arquitetônica no seu jardim e convidam um arquiteto famoso para o projeto. Já passaram por ali obras de  Frank Gehry em 2008 (citado aqui em Efeito Guggenheim), Olafur Eliasson e Kjetil Thorsen em 2007 que ainda contou com instalaçao de Zaha Hadid (citado em Expo Cairo City) ,Rem Koolhas e Cecil Balmond em 2006 (Rem citado aqui em Casa da Música) e Niemeyer em 2003. Sempre estruturas temporárias que são praticamente uma obra de arte e que recebem animadas e exclusivas festas nas noites de verão. Neste ano inaugura as Park Nights, eventos de música realizados às sextas pela noite no pavilhão temporário destinado ao público em geral.

Neste ano o projeto ficou a cargo dos arquitetos japoneses Kasuyo Sejima e Ryue Nishizawa (entrevista para o designboom em 2005). Uma estrutura orgânica e harmônica para dar um chega pra lá na instabilidade do clima londrino.

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A exposição temporária que também merece bastante destaque é uma do americano Jeff Koons, Popeye Series. Ele trabalha a partir de objetos conhecidos e até banais, neste caso bóias infláveis e o personagem Popeye, para abrir uma crítica e a reflexão sobre a cultura de massa, o mercado das artes e o próprio cotidiano.

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A primeira impressão que se tem ao adentrar a exposição é que se trata de uma brincadeira e não uma obra de arte. Quando se começa a observar e refletir sobre as intenções do artista e as técnicas utillizadas, sai dali com a certeza de ter visto algo novo e rompedor, mas com uma pitada de sarcasmo, tanto pela abordagem e pelo kitsch como também pela própria repercussão do artista na mídia.

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Outra sensação que dá ao visitar a exposição é a vontade de tocar nas obras de arte. É quase um instinto infantil daqueles de movimento natural que não dá para segurar. Daí dá para entender porque tantos seguranças…Mas todas as bóias são sólidas por dentro, feitas a base de moldes e alumínio. O objetivo é parecer natural, assim como as pinturas que ele faz que nos dão a sensação de fotografia, mas na verdade são pinturas feitas a óleo.

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Sobre este tipo de material escolhido para a série criativa ele diz “I feel internally dense while externally, outside my body, it is very airy. I like the inflatable because it’s exactly the opposite“.

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Ele também é conhecido pelos objetos feitos com “balões infláveis” reproduzidos em grandes formatos da série Celebration

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e o cãozinho Puppy, uma instalação gigante de flores no formato de um cachorro no Guggenheim em Bilbao.

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Puppy, no Guggenheim de Bilbao. Foto de Denis Doyle for The New York Times

Aqui uma entrevista para Bloomberg onde ele fala um pouco de seu trabalho e da relação com as altas cifras alcançadas com suas obras, como uma escultura da série Celebration vendida por 26 milhões de dólares.

Fotos do Pavilhão da Serpentine de Iris Jonck e Arnaldo Comin. Imagens de Jeff Konns do site: http://www.jeffkoons.com.

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Anos setecentos e arte em Veneza

O El País publicou hoje no seu site uma série de slides de obras de arte de pintores que figuraram no cenário de Veneza no século XVIII. As obras, que nunca foram expostas fora da Itália, estarão em exposição em Madri a partir de amanhã, na Academia de Bellas Artes:  Settecento Veneziano. Del Barroco al Neoclasicismo.

Considerado um século de decadência e ao mesmo tempo grande florescimento artístico, a pintura de Veneza desta época exerceu grande influência na Europa, graças em parte pelo caráter itinerante dos artistas e em outra porque pelo estilo e cores venezianos que atrairam os olhos dos grandes colecionistas da época.

Tiépolo, Canaletto, Guardi, Cimaroli, Sebastiano Ricci e Pellegrini são alguns dos nomes da exposição, que registrarm com a pintura muitas paisagens e o clima de época da cidade.

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Cimaroli - A «caccia ai tori» na Piazza de San Marco

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Marieschi - Dique de San Marco com o Palacio Ducal.

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O efeito Guggenheim

Falando em Guggenheim, uma nova filial do museu está para ser inaugurada em Abu Dhabi, Emirados Arabes, na linha dos grandes empreendimentos modernos de Dubai. 

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Foi desenhado pelo mesmo arquiteto, Frank Gehry, responsável pela filial do museu em Bilbao, Espanha. Seu design arrojado e todo o impacto que teve em seu entorno potencializaram a imagem moderna que Bilbao queria, como era objetivo da prefeitura local, deixando para trás por fim a velha visão de cidade industrial. O fenômeno Guggenheim em Bilbao é frequente tema de debates (matéria sobre a transformação da cidade – BBC) e há também um livro que discorre sobre toda a transfomação do entorno urbano:  El Efecto Guggenheim. Del espacio basura al ornamento. Como um projeto arquitetônico de um museu pode, agregado com outras iniciativas, mudar tanto a imagem que a cidade tinha para o mundo como também para os próprios cidadãos.

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Esta estratégia colocou Bilbao na lista de cidades de turismo (é um dos museus mais visitados da Espanha, com números anuais de visitantes na casa de 1 milhão), mas também gerou diversas críticas e polêmicas posteriores dirigidas principalmente ao museu, acusado de promover mais sua imagem externa que interna (obras de arte).

O primeiro Guggenheim foi fundado em Nova York, mas há filiais em Bilbao e Veneza, como já falamos, Berlin e agora Abu Dabhi.

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Guggenheim Nova York- edifício de Frank Lloyd Wright, projeto de 1943, primeira sede própria para abrigar e expor as obras de Solomon R. Guggenheim

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Uma visita à casa de Peggy

Uma das recentes personagens que aportaram história em Veneza foi Peggy Guggenheim. Nascida em uma família judia abastada de Nova York, era sobrinha de Solomon R. Guggenheim (que dá nome à fundação) e filha de Benjamin Guggenheim, falecido no acidente do Titanic.

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Herdeira de uma pequena fortuna,  utilizou parte dela para promover artistas e colecionar obras de arte e em 1920 mudou-se para Paris, onde como uma “mecenas”  ajudou a divulgar diversos artistas como Marcel Duchamp, Max Ernst e Pollock, entre eles alguns maridos ou amantes.

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Abriu uma galeria em Londres, casou com Max Ernst, voltou a viver em Nova York e  enriqueceu grande parte de sua coleção na eclosão da Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra passou a residir em Veneza até sua morte. Sua casa que expõe parte de sua coleção doada à Fundação Guggenheim, foi aberta ao público em 1980, um ano depois de sua morte. No jardim descansam seus restos ao lado de seus adorados cães.

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Lá podemos ver uma amostra significativa de importantes artistas, principalmente os movimentos de  cubismo, surrealismo e expressionismo abstrato, como Picasso, Chagall, Dali, Mondrian, Kandisky, Boccioni e Magritte, só pra citar alguns dos mais conhecidos. Aliás quando se visita a exposição você fica se perguntando quem é que não está lá e fica até agradecido a ela por juntar tanta gente interessante em um só lugar.

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"Anjo da cidade" de Marino Marini

Nas fotos antigas espalhadas pela casa da época em que Peggy vivia ali, tudo parece até objeto de decoração de tantas obras que colocava em cada cômodo, assim como este “Arc of Petals” de Alexander Calder com vista atrás para o “On the Beach” de Picasso. Neste link dá pra ver quais são as obras expostas em cada cômodo da casa.

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Com tantas fotos pela casa da época em que vivia ali, todas estas histórias e com este apelido, se nos convidassem para tomar um chá a visita ficaria quase íntima.

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MOMA em metrô do Brooklyn

O MOMA (The Museum of Modern Art, de Nova York) reproduz obras em estação do metrô de Nova York para divulgar sua coleção e marca. São 50 obras de grandes artistas como Picasso, Van Gogh, Warhol e Dali, expostas de 10 de fevereiro a 15 de março na estação Brooklyn’s Atlantic/Pacific.

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No site é possível fazer um passeio virtual pela estação, baixar o audio guia ou saber como adicionar suas próprias fotos da exposição no Flickr.

Como um presente para os “viajantes subterrâneos da cidade”, incentiva as pessoas a adotarem um novo olhar. “We know you’re moving at warp speed to get from here to there, but take a breath and take a look. We hope what you see in the station changes the way you see the world today, if only for a moment. And it’s a reminder that the real MoMA is only a short ride away”

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Fotos: jeff baxter, fonte designboom.

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Aos curiosos – Vídeo ARCO

Sim, eu consegui o ingresso para a ARCO, mas não , eu não consegui ir porque vim para Barcelona na sexta e fico por aqui esta semana. Separei um vídeo para quem quiser dar uma espiadinha. 

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O passeio da Índia II – cena contemporânea

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O destaque de arte contemporânea fica para a exposiçao da Casa Asia em parceria com a Walsh Gallery, que traz artistas atuais em alta e que contam com projeção internacional.

Entre os meus destaques, considerando a temática social, o uso de ferramentas e o resultado estético , estão:

Reena Sini Kallat, que trabalha temas como família, pobreza e guerra. Ela usa a ironia revelando a fragilidade do ser humano diante das forças políticas opressivas. O trabalho abaixo “Sellos pintados (2007)”, exposição da Casa Asia, foi feito com carimbos pintados construindo figuras humanas.

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Shilpa Gupta, Mumbai, transita em diferentes disciplinas e suportes tendo em seu portfólio diversos trabalhos com apoio de tecnologia digital e web. Sua obra gira em torno de desejo, religião e a noção de segurança em espaços públicos e fronteiras.

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Security Caps (2008), exposiçáo da Casa Asia.

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Esta obra acima (2004-05) contava com a interatividade do público e tratava tanto do tema da guerra e “banalizaçao” do assunto como também de como somos manipulados  socialmente. Ao clicar as figuras mudavam de posiçao e copiavam um líder da imagem.

Um trecho do texto dela que acompanha a instalação:

“In this wall projection, are seven figures, all dressed up in the camouflage – which has become increasingly fashionable after the War on Terror Campaign. First in the West, and more recently, spilling East onto the streets outside my home. Now I can walk into shops two blocks from where I live and buy camouflage gear. Camouflage makes you feel Cool and masquerade Terror. Terror is quite Cool.
Click on the figures and they move, they copy, they imitate. Click one, click two, choose a leader, become a leader and the rest follow. If they stop, click them up and they join.
Exercise 1 – 2 – 3 – 4. One Bend, Two Bend, Three Bend, Stay. Look Straight – Don’t See – STAY.

E Barthi Kher. Nascida em Londres, atualmente mora e vive em Nova Delhi. Seu trabalho faz referência a construção de identidades, gêneros, raças, cultura de consumo e globalização. Criou interessantes construções através da exploração do elemento bindi, que são as marcas circulares vermelhas que as mulheres casadas indianas fazem no centro do rosto, alusão ao símbolo hindu do terceiro olho.

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Aqui detalhes do bindis nesta escultura de elefante que fazia parte junto com o coração da exposição ” An absence of assignable cause” de 2007 ma Jack Shainman Gallery, Nova York.

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Painéis em exposição na Casa Asia com figuras humanas híbridas.

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