Arquivo do mês: março 2009

Tecidos e mulheres orientais

Comentava em janeiro no post “Vaidade feminina num país muçulmano” sobre as lojas de tecidos visitadas pelas mulheres marroquinas no final da tarde em Marrakech.

O tecido ganha bastante importância na vestimenta da mulher muçulmana e de outras culturas orientais que usa as diferentes estampas e variações de textura para diferenciar seus vestidos, muitos encobrindo o corpo todo. Estava passando semana passada por uma rua do Raval em Barcelona, que é um bairro ao mesmo tempo alternativo e de grande presença de imigrantes paquistanes e marroquinos, quando vi esta loja.

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E, já com uma moda mais moderna, influência indiana e um conceito de loja mais avançado, o dono colocou diversas fotos de modelos para dar idéias de vestidos com base nos tecidos.

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Mais pistas sobre as mulheres das culturas orientais e mais uma vez, como no Marrocos, tecidos e acessórios com muito brilho.

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Arquivado em comportamento, moda, movimento social

Geração Zero

meninas

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes, as explicações para o tardio amadurecimento dos jovens espanhóis eram mais simples. Uma onda de jovens que por opção preferiam estar mais tempo na casa dos pais e aproveitar as mordomias da vida de estudante. Algo que poderia ser traduzido mais ou menos desta forma, como escutei de uma aluna da faculdade onde eu faço a pós: “Para que trabalhar agora? Sou jovem, tenho tempo e minha vida é agora, quero aproveitar”. A isso se somavam os reais altos custos da vida independente, principalmente o de moradia. As pessoas chegam a comprometer 70% dos salários em aluguéis e hipotecas, só para dar uma idéia do alto custo deste item no país.

Quando cheguei aqui confesso que fiquei impressionada com a quantidade de gente recém formada que nunca havia trabalhado em lugar nenhum e esperavam num “Máster” conseguir a primeira oportunidade de estágio. Mas daí o cenário se complicou, a crise se agravou muito e o mercado é cada vez menor. A taxa estimada de desempregados até 25 anos é de 33% para o segundo trimestre deste ano e a perspectiva destes jovens entrarem no mercado de trabalho é bem pequena.

Isto é um dos sinais de que mudanças importantes virão no mercado durante e depois desta crise mundial. Cada país com seu próprio calvário, mas todos com a certeza de que nada será como antes.

O El País publicou uma reportagem hoje super interessante sobre o chamou de “Somos la Generación Cero“,  jovens que estão se formando nesta crise e que por isso não conseguem trabalho, logo continuam estudando e vivendo com os pais. Têm uma formação cada vez mais completa, mas isso não garante vagas no mercado de trabalho nem sua independência.

É o caso de Maria José, 25 anos, que se formou em matemática e morava em um apartamento com outras colegas e agora não encontra emprego: “En poco tiempo cambian tus esperanzas y tus opciones de futuro. Desde que empezó la recesión no sólo no contratan, sino que despiden. Lo que más me agobia es la incertidumbre. ¿Hasta cuándo va a durar esto? ¿Un año, dos, dependiendo de mis padres? ¿Renunciando a irme de vacaciones con mis amigos este verano a Ámsterdam? No sé”.

Vanesa Iino, de 26 anos é aluna de um curso de colocação profissional e recém formada em engenharia. “No estaba desanimada, los compañeros que se habían licenciado en septiembre se iban colocando, pero sólo hay puestos en los que te piden tres años como mínimo de experiencia. ¿Cómo lo voy a hacer? Ahora he conseguido un empleo como gestora telefónica: llamo a morosos. La gente de mi entorno se sorprende, y me dice: ‘¿Una ingeniera química trabajando de telefonista?’. Así puedo ahorrar para hacer un máster en energías renovables y estudiar idiomas por las mañanas, para completar currículo”

Alguns estão buscando oportunidades em outros países da UE. Como é o caso do casal de namorados que acaba de se formar em fotografia Samuel e Cristina. “Me fui a Hamburgo el 15 de diciembre. La idea era llevar mi book por varias empresas, y allí, a la primera, me contrataron. Voy a cobrar 500 euros a la semana, algo impensable aquí. Antes de Alemania me pateé todas las agencias de publicidad donde pudieran necesitar fotógrafos, he visto todas las ofertas en Internet. Aquí no hay proyección, no se apuesta por la ambición y el talento”. Cristina não vai trabalhar como fotógrafa: “Allí ya tengo empleo y me dan cursos gratis de alemán. Voy a trabajar en un hotel. Aquí te pedirían un máster hasta para hacer camas. El trabajo me lo encontró otra española, una mujer que emigró allí por otra crisis, en los setenta. Es bonito, ¿no?”

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Passeata contra Bolonia, processo de unificação de ensino superior europeu. Fotos: Arnaldo Comin

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Tudo depende de como você conta

Mesmo que a história já seja muito conhecida, tem sempre um jeito diferente de contá-la.

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Manifestações da Primavera

Finalmente as temperaturas mais altas chegaram. Não posso nem reclamar muito porque estou na Espanha, que não chega nem aos pés do frio que faz mais ao norte, mas confesso que esperava o calorzinho faz tempo. Estava cansada de me sentir uma “cebola” com tantos casacos.

Com a primavera, chegaram também as primeiras manifestações de alegria pela temporada. A cidade de Granada (Andaluzia) na última sexta-feira organizou um super botellón (de botella=garrafa) com 25.000 jovens reunidos para beber em praça pública todo o dia.

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fardatxet.wordpress.com

A prefeitura até designou um lugar para os tradicionais botellones organizados pelos jovens da cidade , carinhosamente chamado de botellodromo, muito coibidos pela polícia nas cidades espanholas, onde é proíbido beber na rua. Os jovens ou chavales (como são chamados os adolescentes) não deixam por menos, organizam sempre reuniões entre amigos por aí (óbvio, não?) e são sempre assuntos dos telejornais. E para estes eventos grandes fazem toda a convocatória por internet.

Hoje é dia de evento em Sevilha, que não quer deixar por menos, querem bater o número de pessoas reunidas em Granada.

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Anos setecentos e arte em Veneza

O El País publicou hoje no seu site uma série de slides de obras de arte de pintores que figuraram no cenário de Veneza no século XVIII. As obras, que nunca foram expostas fora da Itália, estarão em exposição em Madri a partir de amanhã, na Academia de Bellas Artes:  Settecento Veneziano. Del Barroco al Neoclasicismo.

Considerado um século de decadência e ao mesmo tempo grande florescimento artístico, a pintura de Veneza desta época exerceu grande influência na Europa, graças em parte pelo caráter itinerante dos artistas e em outra porque pelo estilo e cores venezianos que atrairam os olhos dos grandes colecionistas da época.

Tiépolo, Canaletto, Guardi, Cimaroli, Sebastiano Ricci e Pellegrini são alguns dos nomes da exposição, que registrarm com a pintura muitas paisagens e o clima de época da cidade.

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Cimaroli - A «caccia ai tori» na Piazza de San Marco

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Marieschi - Dique de San Marco com o Palacio Ducal.

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Veneza, um parque temático de origem?

É uma provocação e uma provocação que eu tenho me submetido desde a viagem.

Que conceitos possuem lugares ou parques temáticos? Tem um enredo próprio e esta alheio a realidade? Proporciona uma experiência relevante de conhecimento e reconhecimento? Um espaço roteirizado com uma fantasia da realidade? Tempos paralelos (passado e presnte ou muitos passados) com diversos espaços cenográficos….

Sempre escuto das pessoas que Veneza é um mundo a parte, uma cidade sem paralelo no mundo. De certa forma poderíamos dizer que ela tem muitas características que a fazem um tema muito particular.

Seria este abaixo o grande portal de entrada da cidade? Grandioso, com uma catedral dourada com relíquias de São Marcos e leões a recepcionar?

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A cidade guarda no imaginário uma imagem histórica que nem todos conhecem, mas que de tanto que todo mundo fala e certificado pelos prédios super velhos caindo aos pedaços, ganha todo ar de autenticidade. Os turistas que eu entrevistei por ali estavam todos muito encantados por estar em um lugar de história milenar, diziam uns coreanos que viviam nos EUA. Mas uma dupla de paquistaneses lembrou bem: falta uma bem-vinda. Não há nenhum ponto de informação turística e nenhum dica de como explorar os principais pontos da cidade.

Os gondoleiros, embaixadores de Veneza, estão todos uniformizados, por toda a cidade. (muito bem por sinal ; -)

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e há rotas para explorar a ilha . Rotas que passam fundamentalmente pelos caminhos dos souvenirs e te levam para os principais pontos de localização como Ponte Rialto, Praça São Marcos.

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Há quem acredite que há uma intenção em manter edíficios neste estado, eu não. Acho total obra do acaso e descaso do governo.

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Mas o fato é que o que se chama de “estética da decadência” cola bem com a imagem de patrimônio histórico da humanidade, mas isso vale para quase todas as cidades italianas também, não?

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canal21

Outro tema, fora as águas, gôndolas e  carnaval que estão presentes no imaginário dos turistas é a vida boêmia da cidade. Muitos artistas de renome já tiveram sua temporada ali e Veneza sempre foi  palco de muitas festas. Isto é mantido em parte hoje pela oferta de óperas e outros eventos que a cidade oferece. Há antigas igrejas convertidas em espaço de apresentação de música (neste caso homangens a Vivaldi, nascido ali) e diversos teatros espalhados pela cidade. Além de figuras como Peggy Guggenheim que falamos aqui.

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teatro

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O efeito Guggenheim

Falando em Guggenheim, uma nova filial do museu está para ser inaugurada em Abu Dhabi, Emirados Arabes, na linha dos grandes empreendimentos modernos de Dubai. 

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Foi desenhado pelo mesmo arquiteto, Frank Gehry, responsável pela filial do museu em Bilbao, Espanha. Seu design arrojado e todo o impacto que teve em seu entorno potencializaram a imagem moderna que Bilbao queria, como era objetivo da prefeitura local, deixando para trás por fim a velha visão de cidade industrial. O fenômeno Guggenheim em Bilbao é frequente tema de debates (matéria sobre a transformação da cidade – BBC) e há também um livro que discorre sobre toda a transfomação do entorno urbano:  El Efecto Guggenheim. Del espacio basura al ornamento. Como um projeto arquitetônico de um museu pode, agregado com outras iniciativas, mudar tanto a imagem que a cidade tinha para o mundo como também para os próprios cidadãos.

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Esta estratégia colocou Bilbao na lista de cidades de turismo (é um dos museus mais visitados da Espanha, com números anuais de visitantes na casa de 1 milhão), mas também gerou diversas críticas e polêmicas posteriores dirigidas principalmente ao museu, acusado de promover mais sua imagem externa que interna (obras de arte).

O primeiro Guggenheim foi fundado em Nova York, mas há filiais em Bilbao e Veneza, como já falamos, Berlin e agora Abu Dabhi.

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Guggenheim Nova York- edifício de Frank Lloyd Wright, projeto de 1943, primeira sede própria para abrigar e expor as obras de Solomon R. Guggenheim

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